
Seguindo a deixa do Xineis, vou colocar aqui alguns comentários sobre o novo lançamento da estrela de 3 pontas. Como ele disse, já fiz parte do time de engenharia da Mercedes-AMG, então tive contato de perto com esse carro. Mas quero deixar claro que o que vou dizer é minha opinião pessoal.
A expectativa pelo lançamento do SLS era grande na AMG, já que seria o primeiro carro desenvolvido totalmente pela célebre preparadora (naturalmente, com grande cooperação com a Daimler, uma vez que o carro deveria ser uma Mercedes-Benz antes de tudo). Ao contrário do que muita gente pensa, ele não é o substituto do SLR, tanto em posicionamento de mercado (vide a faixa de preço), quanto em performance. Caso isso fosse desejado, ele certamente teria recebido outro motor, como o V12 biturbo com a mesma preparação encontrada no SL 65 Black Series. A idéia era mostrar toda a capacidade da engenharia da AMG, criando a mais dinâmica das Mercedes atuais, ao mesmo tempo resgatando elementos de um dos maiores clássicos da indústria automobilística.
A influência do 300 SL é clara: portas asa-de-gaivota, capô longo e traseira curta, vincos no capô, grade, etc. Se, por um lado, o SLS não representa para o mundo automotivo o que o Gullwing original foi, por outro, ele é bastante inovador dentro da linha Daimler. É a primeira Mercedes com estrutura de alumínio e transmissão de dupla embreagem via transaxle, instalada atrás do eixo traseiro, priorizando a distribuição de peso ao contrabalancear o motor central-dianteiro. Aliás, o drive shaft de carbono pesa apenas 4 kg!
Apesar da ênfase em redução de peso, o SLS não saiu exatamente leve: mais de 1600 kg. Isso porque toda Mercedes deve ter itens "básicos", tais como bancos com ajustes elétricos e sistema de navegação com disqueteira no painel. Mas não é um valor ruim dadas as dimensões do carro e, principalmente, a potência do motor, o V8 de 6,2 L usado no resto da linha AMG, mas com modificações no sistema de admissão que elevaram a potência para 571 cv. Foi o suficiente para garantir um tempo de 7'40" em Nürburgring, como já comentamos aqui, que, se não é sensacional, merece bastante respeito.
Dotado da AMG Drive Unit, que permite regular a esportividade da suspensão, da transmissão e do controle de estabilidade (ESP), além de um aerofólio retrátil que aumenta o downforce a altas velocidades, o SLS é divertido de guiar numa pista, mas também usável no dia-a-dia na cidade, característica tão celebrada no Porsche 911. Este, aliás, em sua versão turbo, deve ser um dos concorrentes do asa-de-gaivota no mercado, assim como Audi R8 e Lamborghini Gallardo, entre outros.
Como alguém que já viu esse carro de perto, posso afirmar: independentemente do que você acha do design ou mesmo do carro em si, a fascinação das portas se abrindo para cima é algo indescritível! Isso somado ao ronco característico dos V8 AMG (mas amplificado) e à enorme estrela de 3 pontas na frente fazem esse carro se destacar mesmo entre Aston Martin DBS, Ferrari 599 e (acredite) Pagani Zonda. Torço pelo sucesso do SLS, que tem um significado pessoal pra mim, já que, mesmo que com uma pequena parte, contribuí para que ele viesse à vida.
Fico à disposição nos comentários para os aspectos que devo ter esquecido.
WS





