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domingo, 13 de setembro de 2009

[Alto-Giro Artigos] Opinião: SLS AMG

Seguindo a deixa do Xineis, vou colocar aqui alguns comentários sobre o novo lançamento da estrela de 3 pontas. Como ele disse, já fiz parte do time de engenharia da Mercedes-AMG, então tive contato de perto com esse carro. Mas quero deixar claro que o que vou dizer é minha opinião pessoal.

A expectativa pelo lançamento do SLS era grande na AMG, já que seria o primeiro carro desenvolvido totalmente pela célebre preparadora (naturalmente, com grande cooperação com a Daimler, uma vez que o carro deveria ser uma Mercedes-Benz antes de tudo). Ao contrário do que muita gente pensa, ele não é o substituto do SLR, tanto em posicionamento de mercado (vide a faixa de preço), quanto em performance. Caso isso fosse desejado, ele certamente teria recebido outro motor, como o V12 biturbo com a mesma preparação encontrada no SL 65 Black Series. A idéia era mostrar toda a capacidade da engenharia da AMG, criando a mais dinâmica das Mercedes atuais, ao mesmo tempo resgatando elementos de um dos maiores clássicos da indústria automobilística.

A influência do 300 SL é clara: portas asa-de-gaivota, capô longo e traseira curta, vincos no capô, grade, etc. Se, por um lado, o SLS não representa para o mundo automotivo o que o Gullwing original foi, por outro, ele é bastante inovador dentro da linha Daimler. É a primeira Mercedes com estrutura de alumínio e transmissão de dupla embreagem via transaxle, instalada atrás do eixo traseiro, priorizando a distribuição de peso ao contrabalancear o motor central-dianteiro. Aliás, o drive shaft de carbono pesa apenas 4 kg!

Apesar da ênfase em redução de peso, o SLS não saiu exatamente leve: mais de 1600 kg. Isso porque toda Mercedes deve ter itens "básicos", tais como bancos com ajustes elétricos e sistema de navegação com disqueteira no painel. Mas não é um valor ruim dadas as dimensões do carro e, principalmente, a potência do motor, o V8 de 6,2 L usado no resto da linha AMG, mas com modificações no sistema de admissão que elevaram a potência para 571 cv. Foi o suficiente para garantir um tempo de 7'40" em Nürburgring, como já comentamos aqui, que, se não é sensacional, merece bastante respeito.

Dotado da AMG Drive Unit, que permite regular a esportividade da suspensão, da transmissão e do controle de estabilidade (ESP), além de um aerofólio retrátil que aumenta o downforce a altas velocidades, o SLS é divertido de guiar numa pista, mas também usável no dia-a-dia na cidade, característica tão celebrada no Porsche 911. Este, aliás, em sua versão turbo, deve ser um dos concorrentes do asa-de-gaivota no mercado, assim como Audi R8 e Lamborghini Gallardo, entre outros.

Como alguém que já viu esse carro de perto, posso afirmar: independentemente do que você acha do design ou mesmo do carro em si, a fascinação das portas se abrindo para cima é algo indescritível! Isso somado ao ronco característico dos V8 AMG (mas amplificado) e à enorme estrela de 3 pontas na frente fazem esse carro se destacar mesmo entre Aston Martin DBS, Ferrari 599 e (acredite) Pagani Zonda. Torço pelo sucesso do SLS, que tem um significado pessoal pra mim, já que, mesmo que com uma pequena parte, contribuí para que ele viesse à vida.

Fico à disposição nos comentários para os aspectos que devo ter esquecido.

WS

segunda-feira, 13 de julho de 2009

[Alto-Giro] Vazaram as fotos do novo Mercedes SLS AMG!

É, galera, até que demorou, mas finalmente vazaram as fotos do novo Mercedes SLS AMG, releitura moderna do meu carro preferido de todos os tempos: o 300 SL asa-de-gaivota. O site Worldcarfans.com publicou duas imagens, uma delas de um site holandês, e outra escaneada da revista alemã Auto Bild, logo abaixo.


É possível que as fotos tenham sido tiradas com autorização no último evento promovido pela Mercedes-AMG, mas rompido o "embargo" normalmente imposto à imprensa, já que a apresentação oficial deve ser somente no salão de Frankfurt, em setembro. Quando eu estava na Alemanha, a mesma Auto Bild publicou fotos do interior do carro ainda não finalizado, levando a crer que eles têm fontes bastante privilegiadas lá dentro. De qualquer forma, o carro está aí, e não esconde a sua inspiração no mito:


Das marcantes portas ancoradas no teto até o interior avermelhado, passando pelos vincos no capô e a grade com a enorme estrela de três pontas, o estilo original foi mantido. O inconfundível perfil em 3 volumes não deixa dúvidas da herança do novo cupê. Os faróis, contudo, me lembram mais os deste aqui:


O 300 SLR conhecido como Uhlenhaut Coupé nunca chegou a ser produzido, mas era utilizado por um dos engenheiros-chefe da marca, Rudolf Uhlenhaut, a quem deve seu apelido. (Mais fotos no post sobre o Museu da Mercedes, em breve!)


A traseira é a parte onde o SLS AMG mais difere do 300 SL original, cujas lanternas seriam talvez pequenas demais para os padrões atuais. As novas ficaram, contudo, bastante harmônicas com o restante do design exterior, muito bem resolvido no geral. O que deixou a desejar, na minha opinião, é o interior (em foto abaixo, divulgada anteriormente), bastante neutro e sem graça, quando comparado ao brilho ofuscante do asa-de-gaivota dos anos 50.




Segundo informações da Mercedes-AMG, o SLS vai receber o V8 dos modelos 63, mas retrabalhado para render 571 cv. Deve inaugurar também a carroceria de alumínio e a transmissão montada na traseira, com dupla embreagem e 7 marchas, ambas inéditas na história da inventora do automóvel. O drive shaft de fibra de carbono pesa impressionantes 5 kg, aproximadamente. Naturalmente, uma série de equipamentos eletrônicos estarão disponíveis, incluindo a nova AMG Drive Unit, um módulo eletrônico que realiza os ajustes da suspensão e do câmbio automático, por exemplo, já presente no SL 63.

O que posso falar do meu tempo de AMG é que o carro é espetacular ao vivo, muito baixo. Se a frente não é particularmente bela, o todo chega a dar arrepios, em grande parte devido à conexão imediata que se faz com o 300 SL original. O mecanismo das portas é sensacional em funcionamento, chama muito a atenção. Como todo V8 AMG, o som do motor é fantástico, dispensa comentários (vocês já ouviram o C 63; é a mesma coisa, mas bastante amplificada). Esse é o primeiro desenvolvimento completo da AMG, e, apesar de ainda ser uma legítima Mercedes, vai surpreender muitos com seu comportamento dinâmico. É com orgulho que posso dizer que participei - ainda que pouco - do desenvolvimento dessa super-máquina, e ela terá um significado especial para o resto da minha vida. Não vejo a hora de vê-la rodando pelas ruas e pistas mundo afora!

WS