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quarta-feira, 4 de junho de 2014

[Alto-Giro] O Futuro da Fórmula 1

É isso mesmo. Não errei de foto, não. Daqui a alguns anos, esta vai ser a Fórmula 1:


O motor a combustão vai ser aposentado de vez, provavelmente em prol de um par de motores tirados de barbeadores elétricos. Afinal, é comprovado que 20 carros correndo alguns fins de semana por ano são os grandes responsáveis pelo buraco na camada de ozônio, pelo aquecimento global e pela iminente extinção da marmota siberiana. Mas, fãs dos motores que roncam alto, não se preocupem: a BMW vai providenciar uma trilha sonora sintetizada especialmente para a categoria, para ser tocada em volume máximo nos alto-falantes dos autódromos e da sua TV. Naturalmente, donos de BMW poderão comprar esses sons para equipar suas minivans de tração dianteira (Ultimate People Carriers?).

Evoluindo o regulamento atual, as futuras restrições técnicas vão gerar carros cada vez mais pesados (mas meu barbeador parece tão leve!), sem que o peso mínimo estipulado seja corrigido. Assim, as equipes terão que contratar como pilotos garotinhos de 7 anos. Todos, claro, devidamente credenciados pela FIA, que cobrará uma taxa de 1 milhão de dólares para selecionar rigorosamente os melhores entre futuros aspirantes a Maldonado e Gutierrez.

Ampliando as restrições aos testes, a comunicação entre membros de uma mesma equipe será proibida entre corridas. Engenheiros e técnicos responsáveis por áreas diferentes só poderão conversar no grid de largada, dentro dos 15 minutos que terão disponíveis para (tentar) montar os carros. Os treinos, livres e classificatórios, notórios por permitir que as equipes testem modificações e ajustes, serão banidos; as posições de largada serão definidas por sorteio. 

Toda e qualquer inovação deverá ser aprovada por um comitê formado pelas equipes de pior desempenho. Caso elas considerem a tecnologia muito cara ou difícil de implementar, terão direito de barrá-la do regulamento. Outros passos em direção à democratização da categoria serão a substituição da fibra de carbono por plástico comum e fibra de vidro e a proibição do uso de túneis de vento, na esperança de que finalmente alguma equipe dos EUA alinhe no grid.

A categoria marcará presença apenas em circuitos projetados pelo mestre Hermann Tilke. O conceito de ultrapassagem desaparecerá da F1, mas não faltarão corridas vespertinas, noturnas, sob a aurora boreal, neve, etc.
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É, amigo… O esporte a motor altamente inovador e competitivo que conquistou tantos de nós não existe mais. Hoje, carros de passeio têm mais tecnologia do que um monoposto de F1, inclusive "servindo de inspiração" para os trens de força híbridos adotados neste ano. Sem falar que os GPs estão tão entusiasmantes quanto um episódio de Two and a Half Men com o Ashton Kutcher. Nossa esperança é que os responsáveis tomem a iniciativa de corrigir radicalmente o rumo atual, ou logo, logo esses parágrafos acima não parecerão mais tão absurdos. 

-WS

Fonte da foto: http://www.damngeeky.com/2012/08/08/3824/a-dad-transforms-plastic-race-car-into-full-blown-racing-car-for-his-kid.html

sábado, 8 de junho de 2013

[Alto Giro] Toyota Corolla cópia de carro chinês

Todo mundo sabe que marcas chinesas de carros copiaram e ainda copiam carros de outras marcas, principalmente de fabricantes europeus e japoneses.

Pois então, a Toyota revelou o Corolla 2014 ontem...



De perfil, o novo Corolla lembra muito o 550 da MG, marca inglesa, mas controlada pelos chineses da Nanjing Automobile Group.

Dá até pra dizer que a dianteira do Corolla 2014 se parece com o MG 6, que inclusive também está a venda no Brasil, junto com o MG 550 aí acima. Mas acho que a semelhança mais gritante é o da lateral mesmo.



Os tempos realmente mudaram...

terça-feira, 7 de maio de 2013

[AltoGiro] O Efeito HB20 em um semestre de vendas



Muito se disse sobre o HB20 ultimamente, tanto positivamente quanto o contrário. O compacto da Hyundai foi, para o mercado brasileiro, um dos lançamentos mais importantes de 2012/2013.
Muito aguardado e sucesso imediato, o HB20 foi entitulado de "matador de Gol" antes de seu lançamento, título que soa ter sido estrategicamente "vazado" pelo marketing da Hyundai, e acabou pegando na mídia. Mas, para os mais céticos pareceu ser exatamente isso: uma jogada de marketing. Afinal poucos realmente acreditavam que uma montadora coreana, fabricando seu primeiro carro no Brasil (desconsideremos por ora o Tucson da CAOA) com todos os problemas inerentes neste processo e sem nem um terço de revendas da VW, fosse realmente ameaçar seriamente as vendas do inabalável VW Gol!

Então, afinal.. qual impacto nas vendas o HB20 trouxe ao Brasil, e mais especificamente, ao dito cujo?

Analisando os dados fornecidos pela FENABRAVE, pudemos verificar que os números de vendas são separados em duas tabelas: a venda total, e a venda no varejo. Essa separação é muito importante, pois a venda total engloba o varejo mais as vendas diretas, feitas por frotistas, pelo governo, por empresas, etc.
Nessas vendas, "no atacado", as montadoras ganham muito pouco, como quando vendem lotes e lotes de carros para locadoras, por exemplo, com uma margem de lucro muito reduzida.
Escolhi então nest post, olhar somente as vendas no varejo, ou seja, para o consumidor comum, o filet mignon de onde as montadoras tiram seu maior lucro. A partir disso, montei os gráficos a seguir.


O que se pôde ver é que desde o seu lançamento em Outubro de 2012, o HB20 foi gradualmente aumentando a participação nas vendas do seu segmento. O mercado retraiu, mas as vendas do coreano se mantiveram quase inalteradas a partir de Dezembro - sempre na sua capacidade máxima. E, nesse contexto, podemos dizer sim que o HB20, com o aumento da sua participação, chegou pra disputar a liderança com o Gol, que teve sua participação drasticamente reduzida no varejo do segmento.

Claro, não podemos dizer que o HB20 foi o único responsável por essa paridade de vendas com o Gol, afinal tivemos o importante lançamento do Onix e a atualização do Palio. A única coisa concreta que pode-se concluir, é que as vendas do Gol caíram e as do HB20 subiram. Outros concorrentes, como Uno, Fox e Palio, também perderam.
Mas isolando por um momento somente os números do VW e do Hyundai, é possível ver o "efeito HB20" nas vendas do Gol.



E não vamos esquecer que o Gol teve uma importante atualização de design no ano passado mesmo, com frente e traseira novas.

Todos esses números foram baseados somente na venda um único modelo - o HB20 hatch. Se a Hyundai Brasil começar a unificar os números do HB20X, como a VW faz com as diferentes gerações do Gol e também com o Fox e o CrossFox, certamente podemos esperar uma batalha cada vez mais interessante pelo título de número 1 do país no varejo.


Minha conclusão é que pro marketing da Hyundai talvez seja importante poder dizer que seu compacto destronou (se realmente acontecer, e só no varejo) o campeão absoluto de vendas do Brasil há 26 anos. Mas na prática, isso não importa. O que importa é que temos agora novos concorrentes de qualidade entre os compactos, e a concorrência é o que realmente faz o mercado evoluir e se desenvolver. Estava na hora do brasileiro sair um pouquinho da zona de conforto criado pelo Gol/Palio/Uno há duas décadas. Dessa forma - sem fanatismo - eu torço para que isso aconteça, mesmo seus clientes tendo que esperar 120 dias por um carro. Mas isso já é outra história...

domingo, 17 de março de 2013

[AltoGiro] Pequenos prazeres


Ontem fui trocar o óleo do meu carro, e enquanto via aquele óleo velho e preto saindo por baixo do cárter e o óleo novinho, verde quase transparente, sendo colocado, tive uma sensação muito boa na hora!
Foi quando percebi como pessoas que gostam de carros às vezes podem ter alguns pequenos prazeres no dia-a-dia bem incomuns.


Troco o óleo sempre antes da quilometragem indicada, e dessa vez não foi diferente. Minha história já mostrou como a manutenção preventiva vale muito mais a pena que a reparadora. O fato de eu estar colocando um lubrificante novo e saber que isso está fazendo bem para o motor, me trouxe uma sensação de satisfação na hora! Com o óleo novo, parece que o motor gira mais suave, faz menos barulho e até responde melhor! Ok, não sei o quanto dessas impressões foram induzidas falsamente por eu saber que acabei de fazer a troca, mas de qualquer maneira foi gratificante.
Foi quando refleti um pouco, e pensei em como pequenas coisas do cotidiano são prazeirosas no ponto de vista de um entusiasta. Listei mais algumas abaixo:

  • lavar / encerar o carro com suas próprias mãos.
  • fazer pequenos reparos, como lubrificação de juntas, trocas de lampadas, eliminação de ruídos, e descobrir nesse processo como as coisas funcionam no seu carro.
  • acertar a rotação do motor numa redução de marcha - bônus de satisfação se for fazendo punta-taco.
  • encontrar uma seção de pista sinuosa e quase sem trânsito.
  • saber os limites de seu carro pra encaixar aquela ultrapassagem perfeita numa pista simples de mão dupla.

Esses foram algumas pequenas satisfações que pensei agora, e que fazem toda a diferença na vida de quem gosta de carros! Vocês conseguem listar mais algumas?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Um retrato do cenário automotivo na Espanha


Passei um mês na Europa a trabalho, ficando majoritariamente em Madrid. Nos fins de semana pude viajar para outras cidades espanholas, como Toledo, Valência e Barcelona. Fui também para Paris, cujos carros deixarei para escrever outro dia.


Nesse post traçarei o cenário automotivo da Espanha, uma observação subjetiva do que povoa as ruas espanholas. Sempre que viajo para um lugar novo, uma das coisas que mais me chama atenção (às vezes até mais que as atrações locais) são os carros rodando nas ruas. Me fascina estar inserido em um novo ambiente automotivo, e dessas observações podemos concluir muito sobre gostos e costumes do povo local.

Usando unicamente como critério o meu olhômetro, pude perceber que as ruas da Espanha, e em especial, Madrid, são dominadas por carros franceses e carros do grupo VW. Menção honrosa vai para o grande número de Ford Focus lá. Vê se também bastante Opels.

Para continuar neste artigo, clique em "continuar lendo" abaixo, ou clique aqui.

sábado, 15 de setembro de 2012

Jettas... Jettas pra todo lado!


Quem acompanha a indústria automotiva, sabe que todas as milhões de marcas espalhadas pelo mundo pertencem a umas... 5 empresas no total. O maior exemplo disso é a Volkswagen: no seu rol de marcas estão a própria VW, Audi, Lamborghini, Bugatti, Bentley, Seat, Skoda... E eles querem mais. Acabaram de finalizar a compra da Porsche e estão tentando tirar a Alfa Romeo da Fiat. 

A idéia da VW é ser a Unilever dos carros. Entre num supermercado. Escolha um produto - qualquer um. Olhe na embalagem: você verá um logo da Unilever. Pois a Volks quer fazer a mesma coisa com os carros. Você vai entrar numa concessionária - qualquer uma -, escolher um carro - qualquer um - e vai acabar encontrando um emblema "VW" em algum lugar. 

Com a sua plataforma modular MQB (do alemão Modularer Querbaukasten, ou plataforma modular transversal), aquela do novo Golf VII  a Volks está realizando o sonho de todas as suas concorrentes (lembre-se, só existem umas outras 4). Pense nela como um skate sobre o qual é possível montar várias carrocerias diferentes, serrando e remendando a base para deixá-la mais curta/longa ou estreita/larga. Desde pequenos hatchbacks até SUVs (incluindo, claro, o Jetta) poderão compartilhar essa plataforma. É verdade que, por enquanto, a MQB só serve para carros com motor transversal dianteiro e tração dianteira, mas é questão de tempo até a tecnologia evoluir para algo ainda mais flexível. Uma plataforma assim, para tração traseira já está sendo desenvolvida pela Porsche, para ser utilizada também nos Bentley.

Assim, tomando o Jetta como modelo base, tudo vai caminhar para a Jettificação do mercado. Vai comprar um Voyage 1.0? Será um Jetta encurtado com cilindrada reduzida. Vai comprar uma Lamborghini Gallardo? Jetta 2.5 rebaixado com tração integral e um 2o motor soldado em 'V'. Que tal um 911? Fusca Jetta com 1 motor e meio achatado, na traseira. Talvez você prefira um Bentley? Jetta forrado de couro com faróis vesgos. Que tal chutar o balde e comprar um Veyron? Jetta turbo mais caro do mundo, com 4 motores soldados em 'W'.

Esse plano de ação da VW tem fundamento: o compartilhamento de plataformas vai diminuir drasticamente os custos de desenvolvimento dos carros, aumentando a margem de lucro e talvez, se eles forem bonzinhos, até mesmo reduzindo os preços (mas provavelmente não no Brasil). Que empresa não gostaria de ter algo assim? O problema é que a Volkswagen vai usar essa vantagem competitiva para fazer caixa e acabar com todas as outras (4) montadoras (talvez eles ainda comprem mais uma ou outra). E no que isso vai resultar?


Por mais que o Jetta seja um bom carro (e não tenha dúvidas, ele é), ninguém quer olhar à sua volta e se ver cercado de modelos iguais. Sobretudo quem gosta de carro. Pense na situação: você, um entusiasta, vai dirigir dois carros aparentemente diferentes, mas a sensação vai ser absolutamente a mesma. Sua mãe, sua tia ou sua avó não vão sentir diferença e vão achar até bom, porque, em diferentes níveis, o compartilhamento de tecnologia vai significar preços mais baixos, manutenção mais simples, etc. Mas você vai saber o que estará acontecendo. Estaremos caminhando para a Rússia da época em que você podia comprar qualquer carro, desde que ele fosse um Lada. Para a Alemanha oriental, quando você só podia comprar Trabants. Para o Japão, quando você só podia comprar Toyo... (ops, isso é agora!) 

A diversidade é uma das coisas que tornam a vida interessante. Com os carros, não é diferente. Se alguém quer ter o direito de comprar um carro que vai quebrar pelo menos uma vez entre cada revisão, deixe ele escolher entre a Fiat ou as marcas francesas. Se uma pessoa decide conscientemente ter um carro moderno que faz 4 km/L e é feio de doer, deixe ela escolher seu GM preferido em paz. Se o seu vizinho quer comprar um carro com 5 anos de garantia e ser explorado nas revisões e peças, a Caoa ficará feliz em atendê-lo. O que não pode acontecer, é não termos opção.

Por isso, é hora de protestarmos. Caso contrário, só veremos Jettas... Jettas pra todo lado! 

-WS

domingo, 26 de agosto de 2012

Lambo Gaga


A Lamborghini é a Lady Gaga do mundo automotivo. Roubei esta idéia descaradamente de um amigo, e como todo bom usurpador, considero ela agora minha. Por isso, vamos nos aprofundar um pouco na minha analogia, com a devida propriedade.

Lady Gaga é a cantora pessoa mais extravagante do showbiz mundo. Entre o que ela chama de roupa estão um casulo, alguns bifes crus e até mesmo Caco, o Sapo (aquele dos Muppets).


A Lamborghini faz os carros mais extravagantes da indústria. Seus modelos têm portas desenhadas para abrir sua cabeça ao meio no caso de algum defeito, entradas de ar laterais capazes de engolir um gato e aerofólios que se abrem como asas. 

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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Jeep Compass: Ele chegou para agitar o mercado...

Confesso que, quando saíram notícias de que a Fiat "se casaria" com a Chrysler, temi pelo futuro das duas empresas. Afinal, era a Fiat dos EUA se juntando à... bem... à Fiat do mundo. Piadas sobre a qualidade dos carros à parte, a verdade é que a união não só salvou a Chrysler da falência (com uma boa ajuda do tio Sam, fato), como tem trazido bons frutos. 

A presença do Fiat 500 nos EUA é um deles, possível graças à planta da Chrysler no México (aparentemente, os operários mexicanos realmente fabricam carros, ao invés de beber e fumar maconha), além, é claro, de sua rede de concessionárias. Apesar de o carrinho não chegar nem perto das projeções iniciais de venda, ele não vem fazendo feio com os gringos. Outro exemplo é o novo Dodge Dart, sedã compacto americano baseado no Alfa Giuletta, que foi bem recebido pela crítica - e que já até gerou uma versão italiana, o Fiat Viaggio. E não pára por aí: agora os interiores dos carros da Chrysler deixaram de ser apenas uma grande peça única de plástico encaixada por dentro da carroceria. Algum italiano deve ter convencido os americanos de que é bom ter um pouco de tecido nas portas, um material emborrachado no dashboard...

CONTINUA...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Comprar uma Ferrari no Brasil? Melhor torcer para a Portuguesa


 VS 



Comprar uma Ferrari no Brasil faz tanto sentido quanto torcer para a Portuguesa. Claro, há motivos  nobres dos dois lados: famílias de imigrantes têm orgulho em demonstrar o amor à terrinha através da camisa vermelha com a cruz no peito; entusiastas automotivos têm orgulho em demonstrar o amor a Maranello através de uma machina vermelha com o cavalinho na grade. Mas, da mesma forma que os times da Portuguesa não foram feitos para o futebol, as Ferrari não foram feitas para o Brasil. Só que ambos teimam em insistir.

Pergunte à sua mãe, avó ou a uma criança de dois anos: vale a pena torcer para a Portuguesa? A resposta é óbvia. E o mesmo deveria ser dito a alguém pensando em comprar uma Ferrari no Brasil.


Todos os torcedores de outros times têm simpatia pela Portuguesa. Mas o único título da história deles não veio por um erro de matemática do juiz. Todos os outros motoristas abrem um sorriso no rosto ao ver uma Ferrari. Não são eles que vão gastar R$ 100 mil em amortecedores novos a cada 50 km. A Lusa foi rebaixada mais uma vez? Culpa do juiz ladrão, perseguição. O motor da Ferrari fundiu aos 10 mil km? Culpa da gasolina batizada, paciência. A Lusa foi rebaixada num campeonato com participantes da quarta divisão? A resposta virá, naturalmente, jogando a Série A do Brasileiro. Com R$ 1,5 Mi dá pra comprar uma 458 e uma cobertura em Miami? Preferível estacionar uma California na garagem do prédio em SP.


A questão é que o que mexe com o coração não ouve a razão. Tenho certeza de que a alegria de um torcedor da Lusa pelo não rebaixamento do seu time é tão grande quanto a comemoração de um título. Assim como tenho certeza de que a satisfação de acelerar uma 355 em plena avenida Paulista é muitas vezes maior do que dirigi-la em algum país estrangeiro. Por isso, quando vejo um torcedor da Lusa ou uma Ferrari na rua, fico feliz. Me lembro de que ainda há paixões verdadeiras no mundo, capazes de desafiar a lógica e o racional. E sei que, enquanto houver torcedores da Lusa arriscando-se a um infarto a cada campeonato, continuaremos a ver pilotos de Ferrari no Brasil, arriscando-se a... 
Ahn..

Pensando bem, é melhor torcer para a Portuguesa...

-WS


Créditos:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

[AltoGiro] Emme 422T, o Lotus brasileiro

O AltoGiro volta do Carnaval curando a ressaca com uma curiosidade que encontrei. Eu estava revirando umas fotos antigas do fundo da gaveta, quando encontrei o álbum do Salão Motor Show de 1997. Este salão era uma exposição que existia em anos alternados aos do tradicional Salão do Automóvel. Foi neste salão, que tive meu único encontro com uma Mclaren F1, como pode ser visto neste link. 
Munido de uma simples máquina com um rolo de 36 fotos na época, uma das poucas fotos que tirei do Salão foi deste Emme 422T, que foi propagandeado e conhecido como o "Lotus Brasileiro". 

Foto tirada no Salão Motor Show 1997
Este estranho sedã foi lançado no salão como um alternativa nacional a carros importados de peso, como BMW série 5 e Mercedes Classe E. Para tanto, anunciava a participação da lendária empresa de Colin Chapman no projeto, com o uso do motor do Lotus Esprit sob seu capô. Seu estranho desenho é ao mesmo tempo, bizarro e familiar. Seu perfil e a linha de cintura com os "ombros" largos lembram os do Volvo S80, que curiosamente foi lançado um ano depois do Emme, em 1998. Seriam os suecos plagiadores do projeto do sedã esportivo nacional? 

 
Volvo ECC, 1992. Fonte: wikipedia
Se é difícil de acreditar nesta afirmação, é por que, previsivelmente, aconteceu justamente o contrário. Tanto o Emme quanto o S80 foram baseados no conceito Volvo ECC, de 1992. A Emme só se adiantou e lançou o 422T primeiro. 
O resultado de um lançamento corrido, baseado em projeto alheio, feito por uma minúscula empresa nacional? Um design sem refinamento, com grade e faróis bizarros; carros defeituosos, com peças e painéis de carroceria sem tolerância dimensional; problemas elétricos diversos e ausência de estoque.


O alardeado motor Lotus, também era uma meia-verdade. O que aconteceu, foi que a Lotus vendeu algumas unidades restantes dos 4 cilindros 2,2 litros turbo à Emme, após a adoção de um novo V8 3,5 litros no Esprit. Os motores passados à Emme eram praticamente sucata da Lotus, visto que de cada 10 unidades trazidas pro Brasil, se aproveitavam apenas 2. E alguns dos motores que não estavam bons ainda foram montados em alguns carros. 
Além disso tudo, a Emme divulgava que seu sedã de 264 cv - nunca aferidos - acelerava de 0 a 100km/h em 5s, tempo ilusório na vida real. Na prática, o turbo-lag do Emme era expressivo, que combinado com um câmbio de relações longas, fazia o carro de 1600 kg sofrer pra embalar. Pro 422T andar, só gritando o motor pra vencer o turbo: um pesadelo na cidade. 
Além disso, um carro pesado e com uma potência (teoricamente) alta sem freios ABS nem air-bags, é uma receita pra um desastre rodoviário.

O resultado dessa mistura, foi uma produção limitadíssima de 12 a 15 unidades, montados num pequeno galpão em Pindamonhangaba, vendidos a alguns compradores enganados pela ilusão de se ter um Lotus 4 portas na garagem. A empresa foi à falência em 1999, apenas 2 anos depois do lançamento do carro, deixando esses consumidores sem assistência alguma.

Fotos tiradas do Best Cars Web Site
Abaixo, um vídeo que parece ser de divulgação, do Emme 422T rodando em Monte Carlo.


- Jackson

Algumas fotos e informações deste post foram retirados do site www.bestcars.com.br, que aliás parabenizo pela investigação que fez acerca deste modelo.

sábado, 8 de outubro de 2011

[Alto-Giro Editorial] O futuro dos sistemas de acesso ao carro

Os sistemas de acesso ao carro evoluíram bastante nos últimos anos, mas ainda há espaço para avanços. Desde a arcaica chave metálica, ainda tão presente nos dias de hoje, até os sistemas keyless mais modernos (tema para um artigo futuro), uma coisa permanece comum a todos: você sempre deve levar algo consigo. Chave, controle, cartão, não importa. Sem um deles, nada de entrar no carro ou dar a partida no motor. Eu pergunto: isso é mesmo necessário?

"Para ter acesso ao carro, você 
ainda precisa levar algo consigo:
 chave, controle ou cartão"

A resposta é: não. A tecnologia atual já dispõe de diversas maneiras de identificar uma pessoa através da biometria: leitura de impressões digitais, de íris, reconhecimento de rosto, de voz, etc. Supondo que apenas um método não atinja a confiabilidade exigida, poderiam ser empregadas duas ou mais maneiras de identificação de forma redundante, a fim de se satisfazer os requisitos dessa aplicação. Desta forma, bastaria caminhar até o carro e se submeter a um desses sistemas de verificação (tocando um leitor de impressões digitais ou olhando diretamente para uma câmera, por exemplo), para ganhar acesso e ter a partida habilitada - por meio de um botão, como já acontece em alguns modelos. O travamento das portas e acionamento do alarme poderia ser feito com o uso de um botão externo, instalado na porta, como já ocorre nas Mercedes equipadas com sistema Keyless Go. 

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

[Editorial] Aumento de IPI para veículos importados




Começa assim a safadeza. Sim, porque maquiar uma medida de AUMENTO DE IMPOSTOS dessa forma, só pode ser mais uma safadeza do poder público com o brasileiro. Leiam a primeira frase do comunicado, que não me deixa mentir:


O governo federal vai elevar em 30 pontos percentuais o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para automóveis e caminhões, em todas as modalidades.

Quando se tomou conhecimento dos primeiros planos para essa medida (http://www.fazenda.gov.br/portugues/documentos/2011/BRASIL_MAIOR_PARA_PORTAL_DO_MF.PDF), eles soavam bastante promissores. As montadoras nacionais que inovassem e primassem pela eficiência energética seriam premiadas com redução na alíquota do IPI. Ótimo, nada melhor que premiar os mais competentes, estimulando o mercado a desenvolver e produzir localmente carros mais modernos, já que o consumidor brasileiro não é capaz de exigir isso. Contudo, depois do anúncio oficial da medida, ontem (15/09/11), não pude deixar de me sentir revoltado com a sua implementação. 

O impacto nos preços 

O governo deixou para trás a idéia de premiar a inovação e a eficiência energética e simplesmente aumentou em várias vezes o IPI para os importados, à exceção dos veículos originários do Mercosul, que respondem pela maioria absoluta das importações. [NOTA: a imprensa garante que os veículos importados do México não sofrerão o aumento da alíquota, mas isso não está confirmado no texto.]  Digo em várias vezes porque, apesar de o Ministério da Fazenda falar em um aumento de 30% nas alíquotas, o aumento real verificado em uma alíquota de que sai de 7% e vai a 37% é de quase 430%, ou seja, o novo valor é mais de 5x maior do que o anterior.

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

[Alto-Giro] Mercedes-Benz SL65 AMG Black Series


A Estrela Negra


Outro dia estava passando pela Av. Europa e me deparei com este avistamento espetacular dentro de uma das lojas dessa via tão especial para os amantes de carros paulistanos. Olhando de relance para dentro de uma das lojas, vi algo que fugiu da minha compreensão. Havia reconhecido o carro, mas na hora levei alguns instantes pra entender que realmente estava diante de um Mercedes SL 65 AMG Black Series.


Inconfundível. E absolutamente sinistro.

O SL 65 AMG, como este que avistamos em São Paulo, já é algo descomunal, mas Black Series o faz parecer ser feito para frágeis atrizes exibicionistas de Hollywood...

Acho que o Black Series é exatamente o oposto de muitas coisas que um SL normal representa.
Se um SL é radiante e exuberante, um Black Series parece ter saído das trevas. O SL é talvez o conversível mais famoso do mundo. O Black Series tem teto rígido. Um SL é feito para um rodar aveludado e luxuoso pela Sunset Boulevard ou Rodeo Drive. O Black Series é menos confortável do que uma pilha de pedras, como diz Jeremy Clarkson no cômico vídeo abaixo.
O Black Series, em muitos sentidos, representa a ovelha negra da família SL. Ou melhor... um lobo vestido de ovelha.



Essa série especial deste esportivo da Mercedes tem produção limitada a 350 unidades, o que o faz mais raro do que os Veyrons, como o visto anteriormente aqui no Alto-Giro, que tem produção prevista de 450 unidades, combinando o coupé com o Grand Sport.

Apesar de lembrar muito o estilo do SL, o Black Series apresenta modificações significativas em relação ao esportivo do qual empresta a plataforma. Os engenheiros da AMG começaram com um SL65 AMG, um carro já ridiculamente rápido, e começaram a remover peso. Além da remoção do desnecessário teto dobrável e seu pesado mecanismo de acionamento, a saia frontal, o capô, o novo porta-malas e a asa traseira são todos de fibra de carbono. No total, a AMG cortou significativos 250 kg do carro, trazendo o peso para 1870 kg no total.


Se essa massa ainda pode parecer excessiva para um superesportivo, o Black Series lhe compensa com 670 hp a 5400 rpm, e brutais 102 kgfm de torque.
Se acha isso um absurdo, tem mais: o torque teve que ser limitado eletronicamente, para preservar o sistema de transmissão. E por causa dessa limitação eletrônica, o motor é capaz de manter esse momento máximo por uma ampla faixa de rotação, entre 2200 e 4000 rpm!
Ou seja, em algum instante, entre 2200 e 4000 rpm, o motor atingiria seu torque máximo (como os carros normais), mas devido à essa limitação eletrônica, temos que nos contentar com "apenas" 102 kgfm constantes, trabalhando nesta faixa de rotação.

Toda essa usina de força é produzida pela combustão ocorrida dentro dos 12 cilindros dispostos em V sob seu capô de fibra de carbono. Com 6 litros de capacidade e sobrealimentado por dois turbo-compressores, é basicamente o motor do SL65 normal, mas com maiores turbo-compressores, intercoolers mais eficientes e sistemas de admissão e escape modificados.


Em carros com tanta potência disponível, o limitante passa a ser obviamente sua capacidade de transmitir essa força para o solo. Burnouts a cada partida, e destracionamentos a cada mudança de marcha são legais para impressionar adolescentes, mas acabam com a eficácia do desempenho do carro e inutilizam toda a força do motor. Para despejar toda a cavalaria no chão, a AMG especificou pneus de maior diâmetro e largura para o Black Series, além de ter aumentado a bitola do carro, o que pode ser observado pelo abaulamento dos para-lamas. Toda a suspensão foi revisada, e é completamente ajustável. E claro, adotou um indispensável controle de tração, ajustável em três níveis: normal, esportivo e... desligado.!!


Toda esse esforço de engenharia se traduz em alguns números surpreendentes de desempenho:
Aceleração de 0 a 100 km/h vencida em 3,8s, e velocidade máxima limitada eletronicamente em 360 km/h.

Se o SL 65 AMG Black Series não é tão elaborado e exótico como o SLR, nem tão elegante e nostálgico como o SLS, não deixa de entrar na história como o SL mais radical de todos os tempos. Além de ser o detentor do título do Mercedes-Benz de produção mais potente de todos os tempos.

-Xineis

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

[Alto-Giro] Faetonte

Hoje, um pouco de mitologia grega pra vocês. É isso aí, Alto-Giro também é cultura! (Aos impacientes: aguardem, que tem relação com o mundo automobilístico, hehe.)

A queda de Faetonte

Faetonte era um filho mortal de Apolo, o Sol. Quando um companheiro de escola zombou da idéia de ser ele filho de um deus, pediu à sua mãe, Climene, uma prova de sua descendência. Ela indicou-lhe então como chegar ao palácio do pai, ao qual ele prontamente se dirigiu.

Ao encontrar Apolo, foi reconhecido como seu filho, e o deus concedeu-lhe um pedido, qualquer coisa que quisesse. Pois Faetonte pediu para conduzir o carro do sol por um dia, o único pedido que o pai deveria negar-lhe, tamanha a dificuldade da tarefa. Era um feito que exigia mais do que a capacidade de um mortal, fora do alcance até mesmo de outros deuses. O caminho do carro flamejante segue por ladeiras tão íngremes que os cavalos mal conseguem subir, corre no meio de monstros aterradores. Era um feito impossível para Faetonte.

Não obstante, ele rejeitou todos os argumentos do pai para persuadi-lo da idéia, e resolveu ir em frente com a empreitada. Pouco depois do início da jornada, Faetonte foi sacudido pelos corcéis, que deixaram o caminho usual. Ao olhar para baixo, as pernas tremendo, ele desejou jamais ter feito o pedido ao pai. Fraquejou, as rédeas lhe caíram das mãos, e uma série de tragédias decorreram.

Assistindo ao desastre, Apolo pediu a Zeus, rei dos deuses, que tombasse o próprio filho, pelo bem do mundo. Com um raio fulminante, Zeus arrancou Faetonte, ao mesmo tempo, do carro e da existência. Ele caiu então no grande rio Eridiano, que o recebeu e refresecou seu corpo ardente.

Sobre o evento, Ovídio disse:

Aqui jaz Faetonte, condutor do carro paterno,
que, se não foi bem sucedido,
pelo menos ousou tentar uma empresa.

Agora, a conexão com o mundo automobilístico: qual paralelo podemos traçar com a história de Faetonte? Alguma montadora que, avisada por todos de que falharia, tentou, mesmo assim, um grande empreendimento?

VW Phaeton

A propósito, Faetonte tamém é conhecido como... Phaeton!

-WS
Equipe Alto-Giro

A história foi tirada do fantástico "O Livro de Ouro da Mitologia - Histórias de Deuses e Heróis", de Thomas Bulfinch, publicado pela editora Ediouro. Uma referência para quem gosta de mitologia.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

[Alto-Giro] A Honda é a nova Toyota!??


Li faz algum tempo atrás, que a Honda está parando de fabricar o Civic Type R na Europa.

#&*%@... !!! o que tá acontecendo...?
Isso é mais um indício de uma teoria que eu venho formulando faz algum tempo já, baseado nas observações que tenho feito à Honda.

pensem.... a Honda estaria se tornando a nova Toyota??
Ou seja, estaria a Honda se tornando aquela montadora de carros eficientes e confiáveis, mas sem graça e nenhuma emoção?

Sabemos que a Honda cancelou já o projeto do sucessor do NSX. A Honda cancelou os projetos dos Acuras de tração traseira, que estavam planejadas para a próxima geração do RL (Honda Legend). Todos os Acuras Type R nos EUA foram extintos, e na Europa, esse fato mostra que o último Type R tbm está morrendo... O Civic Si, faz mais de duas gerações, deixou de ser referencia de hot hatch nos EUA. Quem quiser um pocket rocket agora vai atrás de Mazda Speed3 ou WRX...
O aguardado (e muito propagandeado) CRZ é uma decepção completa. Não tem absolutamente nada a ver com o CR-X, aqueeele hatch / conversivel compacto ultraleve baseado no Civic do começo dos anos 90. E a Honda, em alguns momentos, chegou a dizer que o CRZ tinha o "espírito" do CR-X.

O excelentíssimo S2000, com um 2.0 de 240 cv sem turbo, que gritava até 8000 rpm, morreu sem sucessores...!
Para se ter uma idéia, o carro mais intrigante da linha da Honda nos EUA lamentavelmente é um... Accord Coupe V6....!!
Isso pra uma empresa que criou legiões de fãs de Type-R's, que já fez o NSX, já teve uma equipe de F1 .. e aquele conceito HSC prometia tanto..!!!


Vejo cada vez mais que a Honda está deixando os entusiastas de lado pra seguir o caminho seguro dos carros médios abrangentes...
Lançando cada vez mais carros sem graça que agradam a grande maioria do público, exatamente a receita da Toyota de uns 10 anos atrás. Agora a "ousadia" da Honda é a criação de coisas um tanto ridículas, como o Accord Crosstour ou o Acura ZDX...


Agora a Honda investe forte em duas frentes: híbridos e SUV's...
esqueceram totalmente dos entusiastas.
Vejo cada vez mais uma inversão dos papéis.
Honda criando carros cada vez mais sem graça, e a Toyota mostrando sinais de vida, com o conceito FT-86, o Lexus LFA além de já terem registrado novamente o nome "Supra" nos EUA... a Lexus, pelo menos ainda tem a linha esportiva dela (F), mesmo não sendo muito boa.. pelo menos tentam..


pode ser só impressão minha também... espero estar muito enganado, pois mesmo que seja uma simples impressão, é bem frustrante...!

- Jackson

quarta-feira, 10 de março de 2010

[Alto-Giro] O sofrimento de um pai



Meu filho está na UTI.

Abriu-se um buraco em seu coração



Isso aconteceu depois que fui pego repentinamente por uma enchente relâmpago.
A fatalidade aconteceu na Vila Olímpia, no cruzamento entre a Av. Nova Cidade e Rua Alvorada.
O trânsito estava carregado, e a água começou a subir. Foi um evento inevitável para todos os pobres motoristas presos naquele local.

Quando um ônibus atravessou a água, levantou se uma onda que subiu o capô do meu carro. Não tive a reação de desligar. Também ninguém dos que estavam ali pensaram em desligar o carro. Todos estavam atônitos, tentando se salvar daquela situação.



Como puderam ver, a água entrou pela entrada de ar e deu calço hidráulico.
Às vezes eu via na televisão e não entendia como que pessoas perdiam seu carros em enchentes. Agora entendo. É inevitável. A água chega até você. Não tem escapatória.

Entre o momento que eu estava ouvindo meu som tranquilamente, dentro de uma chuva forte, até eu abandonar o veículo com a água na altura da roda, foram somente cerca de 15 minutos.
Abandonei-o depois que começou a entrar água no carro, e fiquei num bar na esquina, só assistindo o desastre.





Agora está sendo reparado. Meu seguro cobriu tudo, mediante o pagamento de uma franquia bem onerosa para um engenheiro em início de carreira.

Pra qualquer pessoa, ficar sem seu carro é um incômodo enorme. Altera-se toda a rotina, criam-se pertubações outrora inexistentes. Mas para alguém apaixonado por carros, isso é simplesmente de cortar o coração. Tenho certeza que muitos aqui entendem o que eu digo!

Em sua homenagem, coloco duas fotos de quando meu filho estava perfeitamente saudável





-Xineis

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

[Alto-Giro] Lexus LFA


A Toyota revelou oficialmente, o que pode ser considerado seu primeiro legítimo superesportivo. O Lexus LFA é a vitrine da marca para o que de mais avançado, inovador, tecnológico e ousado a marca consegue expor. Seria como se fosse o que o NSX foi para a Honda, nos anos 90. Só que levado ao extremo.

Este é com certeza um carro exclusivo. Tanto sua produção, limitada em 500 unidades, quanto o seu preço, de 375 mil dólares americanos, forçam essa exclusividade. Essa quantia é certamente extremamente elevada (e, de outro ponto de vista, abusiva) para um esportivo de uma empresa sem pedigree esportivo. No entanto, a Toyota conta que a demanda por cada uma de suas limitadíssimas 500 unidades com certeza superará a oferta. Ou seja, não importa o que os analistas e pseudo-especialistas tanto criticam: a empresa certamente moverá toda a produção de seu carro exclusivo.



Afinal, este superesportivo concentra todo o conhecimento e esforço da tecnologia de ponta da empresa que é conhecida por ser a mais eficiente do mundo! Isso, junto ao fato de ser uma edição limitada, basta para muitas pessoas desejarem ter acesso à essa exclusividade. Um outro Toyota que seja tão raro e exclusivo é difícil de se imaginar. Talvez o 2000GT de 1967 seja o único carro comparável, em termos de raridade. Mas não de desempenho bruto e avanço tecnológico em suas respectivas épocas.
E se ainda restarem dúvidas à esses fanáticos compradores, o ronco dessa máquina bastará para destruir qualquer indefinição. Vejam o vídeo abaixo, e entenderão por que os escapamentos do LFA estão sendo aclamados no ambiente eletrônico por emitirem uma das melhores melodias de todos os carros do mundo, atualmente. Aumente o volume pra ouvir seu V10 4.8 de 552 hp subir até 9.000 rpm, capazes de acelerá-lo de 0-100km/h em 3,7 s, até atingir a máxima de 325 km/h!!!




Mas se o LFA acertou em cheio na audição dos entusiastas automotivos, a carroceria desagradou um outro sentido de grande parte do público: a visão!

A beleza é subjetiva aos olhos de cada um. Existem casos muito discutíveis, como a nova Ferrari F458 Italia. Existem casos em que o consenso de que são belos é quase absoluto, como por exemplo o Jaguar E-Type, ou o Mercedes 300SL. No caso do Lexus LFA, está se formando no ambiente eletrônico, um consenso geral justamente contrário!



Eu tenho duas opiniões em relação ao desenho do Lexus LFA:

A primeira é que falta nexo ao seu design. Seu desenho é inconsistente, e o excesso de aberturas e entradas de ar formam uma poluição estilística, a meu ver, desnecessária. O farol parece que... não tem forma nenhuma!! Não consegui definir se o farol é bonito ou feio, pois não consegui identificar qual o seu formato exato! O para-choque dianteiro poderia ser mais criativo, pois parecem muito aos do Ford Fusion 2009.




A traseira parece o capacete de um robô, e as aberturas exageradas dos dois radiadores laterais, mesmo funcionais, são desnecessariamente desproporcionais.
O triplo escapamento traseiro, na minha opinião, não ficou ruim! É bem parecido com o do Ford GT90 invertido. Ficou certamente melhor que o triplo escape da F458 Italia.




A minha segunda opinião, é que mesmo com todas as críticas citadas acima, acho o desenho do LFA muito interessante. Em um mundo onde coexistem Lamborghinis Murciélago e Gallardo, Ferrari F430, Porsche Carrera GT e outras obras de arte sobre rodas, é fácil de criticar o novo Lexus. Por que então, critiquei tanto o desenho da F458 e agora tento amenizar num... Lexus..!!???

O design dos superesportivos sempre foi ditado pela escola italiana. Esportivos da Ferrari e da Lamborghini sempre foram referência em beleza automotiva. Entusiastas automotivos foram acostumados a apreciar o design europeu.
Tudo bem que o LFA tem um desenho controverso. Mas olhando por outro ponto de vista, o LFA apresenta um estilo único... bem nipônico!! Acredito que aí está a beleza deste carro. Ao fugir do fracasso que seria tentar imitar os traços europeus, a Toyota ao menos tentou trilhar seu próprio caminho estilístico. Poucos apreciam o estilo japonês em carros (e eu não sou um desses poucos), mas este carro foi feito para esses entusiastas. Fico feliz que a Toyota tenha estilizado seu superesportivo desta maneira, trazendo assim mais diversidade ao seleto mundo dos superesportivos.

Por isso, penso que antes de sair criticando sem critérios o mais novo superesportivo no mundo, deve-se enxergar um pouco o que esse carro representa à essa esfera. É um supercarro inovador, certamente vanguardista e que concentra toda a excelência tecnológica da mais eficiente montadora do mundo. Tenho certeza que suas 500 unidades, mesmo ao absurdo preço de 375 mil dólares (para comparação, a nova F458 está com preço estimado de cerca de 220 mil dólares) serão vendidas sem problemas, e que todos os felizes compradores ficarão totalmente satisfeitos com seu carro. Como sempre um produto da Toyota foi!



Admiro o LFA por esse conjunto de fatores, e aplaudo a Toyota por ter coragem de continuar esse projeto até o fim, mesmo enfrentando a pior crise econômica da história, e a pior crise financeira da empresa!! Não se esqueçam que, no mesmo período, a Honda cancelou o projeto do novo NSX, a Chrysler matou o novo Viper, a GM faliu e a Porsche fracassou na sua tentativa de comprar a VW e acabou sendo comprada.
Se todos nós conseguíssemos viver sem preconceitos, passaríamos a admirar muito mais excelências da engenharia que são injustamente desqualificadas por pseudo-conhecedores automotivos!

- Xineis

Update: Só uma curiosidade: em abril, foi feita uma versão de acrílico do carro conceito pra ser exposta na Semana de Design de Milão. Foi chamado de
Lexus LF-A Crystallised Wind:


E quando acendiam luzes embaixo:

Achei mto louco e aproveitei o post do Xineis pra mostrar aqui...hehe

- Rossi