quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

[Alto-Giro] Mercedes-Benz SL65 AMG Black Series


A Estrela Negra


Outro dia estava passando pela Av. Europa e me deparei com este avistamento espetacular dentro de uma das lojas dessa via tão especial para os amantes de carros paulistanos. Olhando de relance para dentro de uma das lojas, vi algo que fugiu da minha compreensão. Havia reconhecido o carro, mas na hora levei alguns instantes pra entender que realmente estava diante de um Mercedes SL 65 AMG Black Series.


Inconfundível. E absolutamente sinistro.

O SL 65 AMG, como este que avistamos em São Paulo, já é algo descomunal, mas Black Series o faz parecer ser feito para frágeis atrizes exibicionistas de Hollywood...

Acho que o Black Series é exatamente o oposto de muitas coisas que um SL normal representa.
Se um SL é radiante e exuberante, um Black Series parece ter saído das trevas. O SL é talvez o conversível mais famoso do mundo. O Black Series tem teto rígido. Um SL é feito para um rodar aveludado e luxuoso pela Sunset Boulevard ou Rodeo Drive. O Black Series é menos confortável do que uma pilha de pedras, como diz Jeremy Clarkson no cômico vídeo abaixo.
O Black Series, em muitos sentidos, representa a ovelha negra da família SL. Ou melhor... um lobo vestido de ovelha.



Essa série especial deste esportivo da Mercedes tem produção limitada a 350 unidades, o que o faz mais raro do que os Veyrons, como o visto anteriormente aqui no Alto-Giro, que tem produção prevista de 450 unidades, combinando o coupé com o Grand Sport.

Apesar de lembrar muito o estilo do SL, o Black Series apresenta modificações significativas em relação ao esportivo do qual empresta a plataforma. Os engenheiros da AMG começaram com um SL65 AMG, um carro já ridiculamente rápido, e começaram a remover peso. Além da remoção do desnecessário teto dobrável e seu pesado mecanismo de acionamento, a saia frontal, o capô, o novo porta-malas e a asa traseira são todos de fibra de carbono. No total, a AMG cortou significativos 250 kg do carro, trazendo o peso para 1870 kg no total.


Se essa massa ainda pode parecer excessiva para um superesportivo, o Black Series lhe compensa com 670 hp a 5400 rpm, e brutais 102 kgfm de torque.
Se acha isso um absurdo, tem mais: o torque teve que ser limitado eletronicamente, para preservar o sistema de transmissão. E por causa dessa limitação eletrônica, o motor é capaz de manter esse momento máximo por uma ampla faixa de rotação, entre 2200 e 4000 rpm!
Ou seja, em algum instante, entre 2200 e 4000 rpm, o motor atingiria seu torque máximo (como os carros normais), mas devido à essa limitação eletrônica, temos que nos contentar com "apenas" 102 kgfm constantes, trabalhando nesta faixa de rotação.

Toda essa usina de força é produzida pela combustão ocorrida dentro dos 12 cilindros dispostos em V sob seu capô de fibra de carbono. Com 6 litros de capacidade e sobrealimentado por dois turbo-compressores, é basicamente o motor do SL65 normal, mas com maiores turbo-compressores, intercoolers mais eficientes e sistemas de admissão e escape modificados.


Em carros com tanta potência disponível, o limitante passa a ser obviamente sua capacidade de transmitir essa força para o solo. Burnouts a cada partida, e destracionamentos a cada mudança de marcha são legais para impressionar adolescentes, mas acabam com a eficácia do desempenho do carro e inutilizam toda a força do motor. Para despejar toda a cavalaria no chão, a AMG especificou pneus de maior diâmetro e largura para o Black Series, além de ter aumentado a bitola do carro, o que pode ser observado pelo abaulamento dos para-lamas. Toda a suspensão foi revisada, e é completamente ajustável. E claro, adotou um indispensável controle de tração, ajustável em três níveis: normal, esportivo e... desligado.!!


Toda esse esforço de engenharia se traduz em alguns números surpreendentes de desempenho:
Aceleração de 0 a 100 km/h vencida em 3,8s, e velocidade máxima limitada eletronicamente em 360 km/h.

Se o SL 65 AMG Black Series não é tão elaborado e exótico como o SLR, nem tão elegante e nostálgico como o SLS, não deixa de entrar na história como o SL mais radical de todos os tempos. Além de ser o detentor do título do Mercedes-Benz de produção mais potente de todos os tempos.

-Xineis

8 comentários:

  1. por alguns motivos pessoais, depois de um período sem postar, volto à ativa no blog.. =)

    só lamento pela foto que tirei pra este post... estava num ângulo ruim e numa situação ruim no trânsito.. até tomei algumas buzinadas.. =)

    abraços

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  2. hehehe
    boa xineis
    seus posts bem escritos ja tavam fazendo falta! hehe

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  3. Bem vindo de volta, Xineis! Belo artigo, novamente.

    Cara, esse Black Series é um MONSTRO. Vi ele pessoalmente, e impressiona demais. Os pára-lamas alargados, os pneus, o acabamento das rodas... Animal!

    Consegui entrar num desses na minha época de AMG, e é COMPLETAMENTE desconfortável. Sentar num dos seus bancos-concha me deu a impressão de ser semelhante ao que passava uma mulher do século XIX ao colocar um espartilho, hahaha!!

    Ah, lembro que tinha um protótipo encostado lá, com um pequeno aviso no vidro dianteiro: "SEM ESP". Imagina dirigir isso sem ESP na chuva?

    -WS

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  4. Quer dizer então que o problema é o banco apertado e não os kilinhos extras, wilsão ? hehehe

    Brincadeiras a parte, outro dia eu vi um SL65 na rua e fiquei babando que quase bati o carro. Acho q se eu visse um Black Series eu dava PT de vez! É fantástico!

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  5. acertou Léo!!

    Vc chegou a vê-lo lá na SóVeículos?

    Projecto, é uma versão limitada sim.
    Como diz no post, apenas existirão 350 unidades no mundo todo..


    wilsão, que privilégio! Admito uma pontinha de inveja, hahahaha
    vc tinha literalmente o emprego dos sonhos de todo entusiasta: trabalhar na engenharia da AMG.

    Então não é exagero o Clarkson dizer que a pilha de pedras é mais confortável???

    hahahahaahhahaha

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  6. Não cheguei a vê-lo - passo em frente todo dia, mas dificilmente o trânsito para ali, apesar de ser logo antes de um semáforo -, mas esse chão do estacionamento deixa muito evidente que foi lá. :-)

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